QUINTA DA BULFATA - O DESTINO ESTAVA NO NOME

Dizem que o destino escreve direito por linhas de “xisto”. Durante décadas, a família Rabaçal cultivou esta terra sem imaginar que o nome da sua pequena propriedade, Bulfata, guardava um presságio. Anos mais tarde, quando nasceu a filha de Victor e Marlene, deram-lhe o nome Vitória. Só depois, descobriram que Bulfata vem língua árabe falada no Al-Andalus: بُو ٱلفَتْح (bū l-fatḥ), significando “pai da vitória”. E perceberam que, sem o saber, o nome da quinta já contava a sua própria história: a de uma família feita de amor, trabalho e destino.

Tudo começou em 1945, quando Alzemiro Rabaçal comprou um pequeno pedaço de terra onde produzia vinho e azeite apenas para a família. Décadas depois, o seu filho Miguel deu continuidade ao sonho, adquirindo novas parcelas e ampliando o olival e a vinha. Com o tempo, nasceu também o desejo de transformar essa ligação à terra num projeto com nome e alma próprios. Na passagem do milénio, Victor Rabaçal — já estudante de Enologia — decidiu dar vida à marca Quinta da Bulfata.

As primeiras grandes vinhas foram plantadas entre 300 e 600 metros de altitude, em solos de xisto, granito e areia. Hoje, são 35 hectares onde convivem castas como Touriga Nacional, Touriga Franca, Sousão, Rabigato e Alvarinho, rodeadas por oliveiras, sobreiros e medronheiros. Ao lado do pai Miguel e do seu filho Tomás, Victor continua a cuidar da terra com o mesmo respeito e paixão herdados das gerações anteriores. Mais do que um vinho, Quinta da Bulfata — três gerações ligadas pelo mesmo solo e por um nome que, desde o princípio, parecia anunciar o futuro: um pai, uma filha e uma terra que partilham o mesmo destino — Vitória.

Leonel de castro

leonel de castro